A Casa do Sino fica no meio de um vale que teve três mosteiros de Cister e uma ponte onde se pagava portagem para lá entrar. Quase tudo o que há para ver está a menos de meia hora de carro, e boa parte disso não tem bilheteira nem fila.
Isto é o que fazemos com quem cá vem, conforme o tempo que tem e a época do ano. No Verão a resposta é quase sempre água; no Outono, a serra. E há vistas que se pagam só com a viagem até lá.
Três mosteiros de Cister num só vale, uma ponte com torre, o paço de Egas Moniz com o museu do espumante, um santuário no alto de 686 degraus, a Sé e o teatro de Lamego, e as máscaras de Lazarim. Quase tudo a menos de meia hora.
Igreja Matriz de Tarouca
Tarouca, a pé de casa
A primeira referência a ela é de 1163, e a tradição diz que foi a sétima igreja fundada em Portugal. O que lá está hoje é do século XIII, na passagem do românico para o gótico, com acrescentos manuelinos e barrocos. A fachada é austera, de granito, com a cruz tripla no alto. Lá dentro, a capela-mor tem trinta painéis pintados do século XVII e o mausoléu do primeiro Conde de Tarouca.
O que não perder: a portada principal, com as colunas esculpidas, e os painéis do tecto da capela-mor.
A saberNem sempre está aberta. Se a encontrar fechada, a fachada e a portada já valem a paragem
ClassificaçãoImóvel de Interesse Público desde 1948
Mosteiro de São João de Tarouca
São João de Tarouca, a poucos minutos
O primeiro mosteiro cisterciense construído em Portugal, no fundo do vale, com a serra atrás. Fundou-se no século XII e ainda hoje se percebe porque o escolheram: o sítio é de um silêncio que não se explica. As escavações deixaram à vista o que resta do claustro e das dependências dos monges.
O que não perder: o túmulo do Conde de Barcelos e a pintura de São Pedro, na igreja.
HorárioDe terça a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h
Entrada3 euros. Há bilhete conjunto com Salzedas e Ucanha, válido sete dias
Mosteiro de Santa Maria de Salzedas
Salzedas, no mesmo vale
O segundo dos grandes mosteiros do Varosa, e o mais imponente à chegada. A fachada é enorme para a aldeia que o rodeia, e esse contraste é metade do efeito. A aldeia de Salzedas, com as casas encostadas ao mosteiro, merece a volta a pé que se lhe dá em vinte minutos.
O que não perder: a volta pela aldeia depois da visita, que quase ninguém faz.
HorárioTerça das 14h às 18h, de quarta a domingo das 10h às 13h
Ponte e Torre Fortificada de Ucanha
Ucanha, sobre o Varosa
Uma ponte medieval com uma torre em cima, que existe porque ali se cobrava a portagem para entrar nas terras do mosteiro. É o monumento mais fotogénico da zona e um dos poucos do género que restam no país. Ao lado corre o rio, e no Verão há quem se banhe mesmo debaixo dela.
O que não perder: subir à torre, e depois vê-la de baixo, da margem.
HorárioDe terça a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h
A saberFica a dois passos dos restaurantes de Gouviães
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios
Lamego, no alto da cidade
O cartão de visita de Lamego, e com razão. O santuário está no alto de um escadório de 686 degraus, em nove lances, com fontes, capelas e obeliscos pelo caminho. A meio fica o Pátio dos Reis, com as imagens dos dezoito reis de Israel. Quem não quiser subir a pé pode ir de carro até cima.
O que não perder: descer a pé mesmo que suba de carro, que a vista é toda no sentido descendente.
A saberA romaria é de finais de Agosto a 8 de Setembro. Nessa altura não há onde estacionar
Sé de Lamego
Lamego, no Largo da Sé
Começou a ser construída a meio do século XII, com D. Afonso Henriques a ajudar a pagá-la, e foi sagrada em 1175. É uma igreja feita de várias épocas, e vê-se tudo de fora para dentro: a torre quadrada é o que resta da obra medieval, a fachada é gótica do início do século XVI, o claustro é renascentista, de 1524, e o interior foi refeito no século XVIII.
O que não perder: o claustro renascentista, a parte mais sossegada da Sé.
A saberÉ igreja em uso: fecha à hora de almoço, e as missas têm prioridade
Ao ladoO Museu de Lamego e o Teatro Ribeiro Conceição ficam a dois minutos a pé
Museu de Lamego
Lamego, no antigo Paço Episcopal
Um dos museus mais ricos do interior do país, criado em 1917 no antigo Paço Episcopal, ao lado da Sé. Tem uma sala de tapeçarias flamengas do século XVI, pinturas de Grão Vasco feitas para a própria Sé, e capelas barrocas inteiras, trazidas de conventos da região e montadas lá dentro com a talha dourada e os azulejos.
O que não perder: a sala das tapeçarias e os painéis de Grão Vasco.
AtençãoFechado para obras desde Maio de 2025, e ainda sem data para reabrir. Confirme no sítio do museu antes de ir
No VerãoMesmo fechado, tem feito programação ao ar livre no pátio
Teatro Ribeiro Conceição
Lamego, no Largo de Camões
Por trás de uma fachada do século XVIII, que foi a do hospital da Misericórdia, está a sala que a região tem como a mais bonita do Douro. O hospital ardeu em 1897, o comendador José Ribeiro Conceição comprou as ruínas em 1924, e o teatro abriu em 1929. Fechou nos anos 80, meio a cair, e voltou a abrir, recuperado, em 2008. Se houver bilhetes para alguma coisa na noite em que cá está, vá: a sala vale o espectáculo, seja ele qual for.
Um conselho: ver a programação antes de vir, e comprar o bilhete logo que decidir.
BilheteiraDe terça a domingo, das 14h às 19h, e até às 22h nos dias de espectáculo
Centro Interpretativo da Máscara Ibérica
Lazarim, na antiga casa dos Viscondes
Lazarim talha máscaras de madeira de amieiro para o Entrudo, e faz isso há mais tempo do que a memória de quem lá vive. O centro está instalado no antigo solar dos Viscondes e explica a máscara ibérica de região para região, com destaque para o Entrudo da própria aldeia e para quem o faz, os artesãos e as costureiras.
O que não perder: ir mesmo fora do Carnaval, que é quando se vê com calma.
HorárioDe terça a domingo. Das 10h às 19h de Abril a Setembro, e das 10h às 16h30 de Outubro a Março
EntradaGratuita
Caves da Murganheira
Ucanha, cavadas na rocha
Espumante feito aqui desde 1947, em caves escavadas no granito azul, que mantém sozinho a temperatura e a humidade que as garrafas pedem. São cerca de um milhão de garrafas por ano, e a visita leva-o lá abaixo, ao meio delas. Acaba com prova, e é das visitas mais fáceis de fazer com pouco tempo.
O que não perder: a prova no fim, e leve uma garrafa que aqui sai mais em conta.
HorárioDe segunda a sábado, às 9h30, 10h30 e 11h30 e às 14h30, 15h30 e 16h30
FechaDomingos e feriados
A saberA visita dura meia hora. Ligue antes a marcar a hora
Casa do Paço de Dálvares
Dálvares, a cinco minutos de carro
Um paço medieval de granito escuro, quadrangular e com pátio ao meio, que foi a casa da honra de Dálvares e pertenceu a Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques. Foi quinta agrícola até aos anos 60 do século passado, ficou décadas a cair, e a Câmara comprou-o em 1994 e recuperou-o. Hoje tem lá dentro o Museu do Espumante, que mostra o fabrico artesanal da vindima à garrafa, e é a sede da Confraria do Espumante: o vale do Varosa foi a primeira região demarcada de espumante do país.
O que não perder: juntar às Caves da Murganheira, que ficam a cinco minutos: primeiro o museu, depois a prova.
A saberVale a pena telefonar antes, sobretudo em dia de feriado
A péO Caminho dos Monges passa a cem metros da porta
As vistas
Três miradouros que valem a viagem por si sós, e um deles vê-se da janela de casa. E o Douro visto do comboio histórico, colado ao rio.
Miradouro do Morro da Alcácima
Tarouca, no alto da cidade, a pé de casa
É a vista mais abrangente que se tem sem sair da cidade, e a mais fácil de todas: sobe-se a pé, pela Rua das Flores a partir da Igreja Matriz. No alto do morro, mesmo em frente à Câmara, abre-se a volta inteira sobre Tarouca e as vinhas do vale. Lá em cima há um coreto de arcada hexagonal e a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres.
Quando ir: subir ao fim do dia, que é quando a volta toda ganha cor.
A subidaA pé pela Rua das Flores, a partir da Igreja Matriz. Há escadas no fim
A saberÉ a única vista desta lista que se faz sem carro
Serra de Santa Helena
Tarouca, a 1102 metros
É a serra que se vê de casa, vista do outro lado. Lá de cima abre-se o Vale do Varosa inteiro, com Tarouca e Lamego em baixo, e ao longe as serras do Marão, das Meadas e da Estrela. No cimo há um altar e uma capela a Santa Helena da Cruz, e uma zona de merendas à sombra.
Quando ir: ao fim da tarde, quando a luz desce sobre o vale. E num dia de nevoeiro é obrigatório: há boa hipótese de se sair acima das nuvens e apanhar sol por cima delas.
A saberSobe-se de carro até ao cimo e há zona de merendas
TambémÉ daqui que partem os voos de parapente
Miradouro de São Leonardo de Galafura
Galafura, Peso da Régua, a 640 metros
Miguel Torga chamou-lhe «Doiro sublimado» e «um excesso de natureza», e escreveu-lhe um poema. Um excerto está gravado numa pedra ali mesmo, e lê-se com o vale em frente, que é como deve ser lido. Torga nasceu a poucos quilómetros daqui, em São Martinho de Anta. Para muita gente é a melhor vista sobre o Douro vinhateiro, e fica a meio caminho entre a Régua e o Pinhão.
Quando ir: chegar perto da hora da refeição, que o restaurante São Leonardo ali ao lado justifica a ida por si só. E ler o poema na pedra antes de olhar para baixo.
A saberVai-se de carro até ao miradouro. Há capela e sombra
Casal de Loivos, pela estrada do Pinhão
Casal de Loivos, Alijó, por cima do Pinhão
Aqui metade da razão para ir é o caminho. O troço da Nacional 222 entre a Régua e o Pinhão já foi considerado a estrada mais bonita do mundo, e faz-se devagar, com o rio sempre do lado. No fim sobe-se a Casal de Loivos, uma aldeia a seis quilómetros do Pinhão, e chega-se à varanda que dá sobre a curva em cotovelo que o Douro faz ali em baixo. A BBC pôs esta paisagem entre as seis mais bonitas do mundo.
Quando ir: ao fim da tarde, com o sol de lado sobre os socalcos. Em Setembro, na vindima, é outra coisa.
A saberÉ um programa de meio dia, e a estrada é estreita e cheia de curvas
SugestãoIr por uma margem e voltar pela outra, que são paisagens diferentes
Não percaA estação do Pinhão, com painéis de azulejo do Douro
Comboio Histórico do Douro
Estação da Régua, a meia hora de carro
Cinco carruagens do início do século XX, puxadas por uma locomotiva diesel pintada nas cores de origem, a subir a linha do Douro da Régua até ao Tua e a voltar. A linha vai colada ao rio, na margem em frente à da Nacional 222, e os socalcos descem até à água mesmo ao lado da janela. A viagem começa com música e um cálice de Porto na estação da Régua, há música a bordo, e pára no Pinhão e no Tua, onde se provam e compram produtos da região.
Um conselho: sentar-se do lado do rio, que na ida é o direito. Do outro lado vê-se sobretudo a encosta.
MoradaEstação da Régua, Largo da Estação, 5050-280 Peso da Régua
QuandoDe Junho a Outubro, aos sábados e domingos, e também às quartas no Verão
DuraçãoCerca de três horas, a partir da Régua, à tarde
BilhetePago, e não é barato. Compra-se na CP ou na bilheteira, com antecedência, e não se troca nem se devolve. Preço e horário do ano no sítio da CP
A locomotivaA da fotografia, de 2016, é a de vapor. Em 2026 a CP usa uma diesel, nas cores de origem
Água, ar livre e crianças
De Junho a Setembro é aqui que se passam as tardes. E o parque biológico é bom o ano inteiro.
Parque Ribeirinho de Tarouca
Tarouca, a pé de casa
Sete hectares e meio ao longo do Varosela e do Torno, e é o sítio onde as crianças se cansam sem se aperceberem. No Verão abre a piscina do parque, ao ar livre e no meio do verde, que é onde se passam as tardes de calor sem sair da cidade. O resto do ano há parque infantil, pista de skate, campo polidesportivo, mini-golfe, ginásio ao ar livre e zona de piquenique. Dá para andar de canoa no Varosela e há cavalos.
Bom para: uma tarde inteira sem plano, que é o que o sítio pede.
PiscinaSó no Verão, com entrada paga e barata. Horário da época no sítio da Câmara
A saberÉ aqui que se faz o VarosaFest, em Agosto
Piscinas Municipais Descobertas de Tarouca
Tarouca, em dois sítios
Abrem no Verão e são duas: uma dentro do Parque Ribeirinho e outra no complexo desportivo. São a solução simples para uma tarde de calor sem sair da cidade, e a entrada é bem mais barata do que qualquer alternativa.
Bom para: a do Parque Ribeirinho, se levar crianças pequenas.
MoradaParque Ribeirinho e Complexo Desportivo Municipal, Tarouca
Outra escala, esta. São cinco tanques, com um pequeno parque aquático, escorregas, piscina para os mais pequenos, campo de voleibol de praia e um bar com esplanada. É para onde se vai quando o dia é de calor a sério e se quer um programa que dura até ao fim da tarde.
Bom para: juntar à subida ao santuário, que fica perto.
MoradaRua Padre Alfredo Pinto Teixeira, 5100-150 Lamego
São as piscinas do Centro Cultural e Recreativo da aldeia, uma descoberta e outra coberta, com bar. Mais pequenas e mais sossegadas do que as de Lamego, numa aldeia a meio caminho. É a escolha de quem prefere passar a tarde sem fila para o escorrega nem toalha encostada à do lado.
Bom para: um dia de semana, que é quando quase não está ninguém.
A saberConfirme o horário antes de ir, que varia com a época
Praia Fluvial de Mondim da Beira
Mondim da Beira, junto à ponte românica
Uma das duas praias fluviais do Varosa no concelho, abrigada pela ponte românica de Mondim. Tem um tanque para crianças, um pequeno espaço de restauração ao lado e moinhos ao longo das margens, que valem o passeio antes ou depois do banho. Nos dias de calor enche, e isso faz parte.
Bom para: chegar cedo em Agosto, que a sombra é disputada.
O Varosa alarga-se num açude entre a ponte medieval e a ponte nova da estrada, e é ali que se toma banho no Verão, à sombra das árvores da margem. É das mais procuradas da zona quando aperta o calor. O melhor é o conjunto: um mergulho, a subida à torre da Ucanha, e a mesa a dois passos, em Gouviães.
Bom para: juntar o banho à visita à torre e ao almoço em Gouviães, que ficam todos a cinco minutos a pé.
A saberÉ rio, não piscina: sem vigilância garantida. Com crianças, fique por perto
Parque Biológico da Serra das Meadas
Serra das Meadas, a 7 km de Lamego
Cinquenta hectares de mata na serra acima de Lamego, com animais da região: raposas, veados, gamos, javalis, burros, cavalos, perdizes, pavões e aves de água. Uns em cerca, outros à solta. No Outono fica particularmente bonito, e é quando aparece a variedade de cogumelos silvestres que dá fama ao parque. A subida compensa por outra razão: a meio da serra fica o Miradouro da Boa Vista, a 860 metros, com o Douro, o Varosa e a serra do Marão à frente.
Bom para: ir no Outono, pelos cogumelos. O parque organiza passeios micológicos.
A saberAberto desde 2002, com fim educativo. Há merendário e percursos marcados
Não percaO Miradouro da Boa Vista, na subida, a 860 metros
A pé
O vale faz-se melhor devagar, e há um caminho marcado que liga os mosteiros todos.
Caminho dos Monges
De São João de Tarouca até ao Douro
A grande rota do vale, 42 quilómetros a refazer o caminho dos monges de Cister: 23 em Tarouca e 19 em Lamego. Não é circular, e faz-se melhor a começar em São João de Tarouca, com o vale a abrir-se à frente em vez de ficar para trás. Nas calmas, são quatro dias. Sai de São João de Tarouca e passa por Mondim da Beira, Tarouca, Dálvares, Ucanha e Salzedas. Daí segue junto ao rio Varosa até Lamego, e acaba no Douro, no Peso da Régua.
Se ficar connosco: a primeira etapa de São João de Tarouca até cá a casa, e a segunda daqui até Salzedas, ou até passar o rio em Vila Pouca de Salzedas.
Sete alturas em que a região muda de feitio. Vale a pena saber antes de escolher as datas.
As festas da cidade, em Tarouca
São Pedro na última semana de Junho, São Miguel a 29 de Setembro
Tarouca tem duas. O São Pedro, na última semana de Junho, é a festa do padroeiro da freguesia. O São Miguel, a 29 de Setembro, é o feriado municipal e traz consigo a feira anual. Pelo meio há ainda a Santa Helena, no segundo domingo de Julho. São festas de rua a cinco minutos a pé da porta, e nessas noites não vale a pena contar com sossego.
VarosaFest
Quatro noites de Agosto, no Parque Ribeirinho
O festival de música de Tarouca, que se apresenta como o festival do Norte interior. Faz-se no Parque Ribeirinho, à beira do rio, e são quatro noites com campismo, banhos de dia e concertos à noite. É o acontecimento que traz mais gente de fora à cidade, e o bilhete não custa o que custam os festivais grandes.
As festas de Várzea da Serra
Os três primeiros domingos de Agosto
Três domingos seguidos, um atrás do outro: Santa Apolónia no primeiro, a Festa do Senhor no segundo e a Nossa Senhora da Saúde no terceiro. Várzea da Serra é a aldeia onde nasce o Varosa, no alto da serra, e é onde melhor se percebe o que é uma romaria de aldeia a sério.
Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego
De finais de Agosto a 8 de Setembro, o dia da romaria
É uma das maiores romarias do país, com mais de quatro séculos de história. São catorze dias de festa que acabam na Procissão do Triunfo, a desfilar por Lamego há mais de cento e trinta anos, e a cidade enche. Se vier nesta altura, reserve as mesas com dias de antecedência.
As vindimas no Douro
Do fim de Agosto a meados de Outubro, com o pico em Setembro
Nas semanas antes, a vinha está no verde mais carregado do ano, com os cachos pesados a pender dos socalcos, e o vale parece pintado de novo. Depois vem a vindima, que dura umas seis semanas e em que o vale inteiro anda nisso: as uvas brancas primeiro, as tintas depois, gente nos socalcos e tractores com as caixas cheias pela estrada. Muitas quintas abrem a porta nesta altura, com programas em que se cortam cachos, se pisa a uva no lagar e se almoça com quem trabalha na vinha. As vagas são poucas e esgotam com meses de antecedência. Quem não quiser vindimar vê-a na mesma pela Nacional 222 até ao Pinhão, ou do comboio histórico, que ainda anda nestas semanas.
O Douro no Outono
Depois das vindimas, de meados de Outubro até Novembro
Colhida a uva, a vinha muda de cor, e é talvez a altura mais bonita do ano no Douro. Os socalcos passam do verde ao amarelo, ao laranja e ao vermelho, cada casta ao seu ritmo, e as encostas ficam às faixas, como uma manta. Com o clima ameno do vale, as cores aguentam-se semanas. Há menos gente do que no Verão, a luz é baixa e dourada o dia inteiro, e é quando os miradouros de Casal de Loivos e de Galafura valem mais a pena. E mais perto de casa, nas manhãs de nevoeiro, sobe-se à Serra de Santa Helena para ver o vale de Tarouca debaixo de um mar branco.
Entrudo de Lazarim
No Carnaval, em Fevereiro ou Março conforme o ano
Máscaras de amieiro talhadas à mão, testamentos satíricos lidos pela Comadre e pelo Compadre, e feijoada e caldo de farinha servidos na terça-feira gorda. É um dos entrudos mais genuínos do país, e é a mesma tradição que se vê o ano inteiro no Museu da Máscara Ibérica.
Duas coisas que convém saber
Os monumentos do Varosa fecham à segunda-feira e ao início da tarde. O bilhete conjunto de São João de Tarouca, Salzedas e Ucanha é válido sete dias e usa-se uma vez em cada, portanto não é preciso fazer os três no mesmo dia.
As piscinas e a praia fluvial são de Verão. Fora dessa época, o Parque Biológico da Serra das Meadas e os trilhos resolvem o dia, e sem gente nenhuma.